A minha viagem para um estilo de vida minimalista

10-03-2019
foto de Jorge Albuquerque
foto de Jorge Albuquerque

A certa altura da minha vida, como já contei antes, senti uma necessidade enorme de simplificar, e já há algum tempo que tenho andado bastante focada nisso. Não só simplificar a casa e os objetos mas simplificar a vida em geral pois, a certa altura, comecei a achar o mundo desnecessariamente complicado. Não é um processo nem fácil nem rápido mas senti que era o que precisava fazer. Como o mais fácil é começar pelos objetos, fui destralhando divisão a divisão da nossa casa. É claro que o processo não é imediato, leva tempo, até porque nem todos os membros da família sentem essa necessidade.

Como a maioria dos que enveredaram por este caminho, comecei pelo meu roupeiro. Na altura ainda não conhecia a Marie Kondo, mas um pouco por intuição e sem o seu "spark and joy", lá fui fazendo a seleção. A sensação de paz e dever cumprido no final do armário super arrumado e organizado foi brutal, e fiquei com vontade imediata de fazer o mesmo à casa toda e só parar depois de tudo destralhado. Este ritual funcionava quase como o chocolate, dava uma sensação de compensação imediata, a diferença é que essa sensação durava muito tempo, pois o viver num sítio com pouca coisa e não atafulhado de objetos desnecessários pode ajudar a limpar a nossa mente.

Depois lá fui destralhando o resto da casa, passei ao quarto, depois às casas de banho, à cozinha, aos quartos dos miúdos. Um aderiu mais que o outro, e embora nenhum dos dois seja exagerado no número de objetos e roupa que possui, um é naturalmente mais minimalista que outro. O mais novo, desde pequenino que, quando alguma coisa já não lhe interessa, pede logo para o tirar do quarto e dar a alguém. O compartimento mais difícil de destralhar foi a sala. A sala tem a maior parte dos objetos do meu marido, incluindo a sua biblioteca que ele estima e não sente necessidade nenhuma de destralhar, até porque acha que pode voltar a querer ler algum deles a qualquer altura. Por esse motivo, é o compartimento menos minimalista, mas mesmo assim consegui libertá-lo de alguma tralha e tem um aspeto organizado e arejado.

Com o destralhar da casa já consegui reduzir algumas das tarefas domésticas e simplificar outras, o que me faz poupar bastante tempo e energia. Entretanto destralhei a minha caixa de e-mail, apagando todas as mensagens que já não fazem falta e destralhei o meu telemóvel, apagando todas as aplicações que não uso regularmente.

O verdadeiro desafio comecei-o há pouco tempo. Destralhar a minha vida ao nível das atividades diárias e ficar com mais tempo de lazer e contemplação.

Para ser sincera ainda não sei bem como fazer esta parte, mas decidi começar por marcar uma hora do meu dia onde não posso marcar nada na agenda. Isto obriga-me a respeitar esse espaço e a conseguir abrandar o ritmo. Também restringi os fins de semana, tento ter sempre um dia ou no mínimo metade de um dia sem nada marcado. Estas medidas fazem-me sentir menos cansada e menos sufocada, sem a sensação de que não tive tempo para descansar. Esta opção também me torna mais produtiva. Normalmente consigo concentrar-me melhor e ser mais criativa depois destas pausas.

Ficam aqui algumas das pessoas que me inspiraram nesta viagem, The Minimalists, Matt D'Avella e Jenny Mustard Se alguns de vocês tiverem ideias para partilhar, agradeço muito o contributo.


Carla Albuquerque | © 2019
Almada
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